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Vencedora do “Conte uma História” – Daniela

O texto que você poderá descobrir a seguir resultou de um concurso interno no IFBG, com a chamada de “Conte uma historia”, dando assim a oportunidade aos nossos alunos de registrarem seus melhores momentos no contato com o IFBG e com a gastronomia. Dizer que foi gratificante é muito pouco. Boa leitura

Concurso “com emoção tem mais sabor” 2018
Daniela Soares Razolli – Alta Gastronomia 1º Semestre

Posso afirmar que a gastronomia mudou minha vida. Em todos os sentidos. Ainda criança comecei a me interessar pela cozinha, assistindo minha avó cozinhar. Ver seus gestos, seu amor, seu tempero, o cheiro da casa, tudo me encantava. Ela percebia isso e sempre me estimulava e me envolvia no preparo das refeições. O tempo passou, eu cresci, me formei em biologia e segui carreira acadêmica. Entrei na área da saúde, especificamente, estudando a gênese da obesidade e doenças associadas. Ainda no mestrado me interessei por começar a comer melhor, com qualidade, com saúde mas, acima de tudo, com sabor. Não é fácil encontrar comida saudável na rua. Logo, a solução foi começar a cozinhar em casa. O tempo foi passando, terminei meu doutorado e, durante meu pós-doutorado, um dia meu marido apareceu em casa com um panfleto do IFBG, o qual ele havia pego para mim em um restaurante. Segundo ele, “achei sua cara”. E era.

Me encantei pela idéia de aprimorar meus conhecimentos culinários e, mais do que isso, aliar a minha pesquisa na área da saúde com meu amor pela cozinha. Foi então que ingressei no curso compacto menu e me deparei com um grande chef e professor…o chef Beto. A dedicação, o conhecimento e o amor do chef Beto por cozinhar e ensinar me encantaram. Não consegui parar…emendei o compacto menu com o compacto premium. Todos os dias, ao cozinhar, me lembro do Beto e seus ensinamentos. Parece que o ouço falar “gente, cada ingrediente tem a sua história, tem o seu momento. Esse é o momento cebola…respeite. Depois vem o momento cenoura…refogue com carinho. Cada ingrediente é único”.

Não tenho como descrever uma única aula como a melhor. Cada aula era especial e trazia uma lição nova. A aula que o chef vendou nossos olhos e apresentou ao olfato uma série de ingredientes foi especial, a aula de panificação foi incrível mas, acima de tudo, está o amor, a dedicação, os ensinamentos, o exemplo. A cozinha é universal, nela falamos a mesma linguagem, ainda que nenhuma palavra seja dita. Terminei os cursos compactos e fui trabalhar fora do país por um tempo. A experiência de vivenciar outras culturas gastronômicas me deixou tão encantada que, voltei para o Brasil e me matriculei no curso de alta gastronomia. Se me perguntarem de quem é a culpa, certamente é do chef Beto, que me inspira a cozinhar todos os dias com amor.

Minhas terças e quartas são os melhores dias da semana. Mesmo morta de cansaço, ainda que exausta…quando visto meu uniforme e piso na cozinha, parece que me renovo, me reinicio. Não importa se chego em casa quase meia noite cheirando caldo e mirepoix, não me importa se no dia seguinte tenho que levantar as seis para trabalhar…nada importa quando vou para o IFBG. O ambiente, o cheiro, o amor envolvido, tudo me encanta. Quando longe da cozinha, eu cozinho mentalmente. A cozinha e o laboratório são minha casa. Todo cozinheiro é cientista. Eu sou cientista e cozinheira e amo o que faço. Sou duplamente cientista. Amo pesquisar e tentar fazer a vida das pessoas mais saudável. A cozinha é a extensão do meu dia-a-dia. Ela é meu verdadeiro laboratório, é onde posso colocar em prática meu conhecimento acadêmico em forma de amor e saúde.

Nada mais posso fazer a não ser agradecer e retribuir. Nada melhor que retribuir gratidão em forma de comida! Obrigada chef Beto pelo exemplo. Obrigada IFBG pela oportunidade de amar em forma de comida.

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